A Tal da Palmatória
Lembremos que, nos dois primeiros séculos de Brasil colonial, os colégios dos jesuítas, depois os seminários e colégios de padres, foram os grandes responsáveis pela irradiação de cultura. Nesse sistema educacional, a ordem e a autoridade primavam sobre tudo; os castigos, inclusive corporais, dados por irmãos leigos e não pelos padres, faziam parte do processo educativo. O castigo do "pensum", por exemplo, que consistia em copiar dezenas ou centenas de vezes a mesma frase, a mesma página ou até livro inteiro, foi substituído pelo castigo corporal.
Em l827, na reunião da Comissão de Instrução Pública da Câmara dos Deputados, foi apresentada a emenda de Baptista Pereira e Cunha Mattos, buscando terminar com as punições: "Ficam proibidos os castigos corporais, sob pena de culpa" (Moacyr, l936, p. l87). A réplica, no entanto, veio logo em seguida, quando o Sr. Hollanda Cavalcanti disse presumir que muito pouca gente soubesse realmente ensinar sem o uso da palmatória, completando que "quanto não dizem hoje: 'ah! se meu mestre me desse bastante pancada eu seria hoje mais feliz'. Para que excluir a palmatória?" (Moacyr, l936, p. l87). Pouco mais de cem anos depois, lê-se numa crônica de Mário de Andrade, "O grande cearense", que esse modo de pensar continuava inerente em nossos costumes pedagógicos extra-escolare.
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Como é de nosso conhecimento que, cultura brasileira é um aglumerado de culturas, tendo a sua origem na mesclagem européia, africana e indígena. Herdamos dos jesuítas as formas de disciplinas escolares, visto que o processo no Brasil se deu na exploração das culturas indigenas e africanas, pois que, os mesmo eram forçados ao trabalho e à cultura européia, e para tanto eram usadas as mais árduas formas de castigo para conseguirem os seus intentos. O processo educacional herdou a palmatória e outras formas abusivas de castigo. Não é de se estranhar que o povo brasileiro ainda conserva o sentimento de inferioridade herdado dos nossos antepassados, porém a arte-educação tem a capacidade através da história e da reflexão crítica mudar esta ideologia subalterna. Veja neste vídeo, o que o artísta fala da representação brasileira.
DEPOIMENTO DE AMÉRICA FRANÇA PEREIRA NASCIDA AOS 12 DIAS DO MÊS DE OUTUBRO DE 1932
Na minha infância presenciei fatos relacionados as disciplinas aplicadas por professores, a que mais chamava a minha atenção e provocava temor, eram os bolos de palmatória, por muitas vezes acontecia que as crianças por medo da dor retiravam as mãos, ou fechavam, mas isto so agravava o castigo, se a mão estivesse fechada eram aplicados os golpes nos dedos ferindo-os, porém os golpes na palma da mão não eram dispensados. Havia também o castigo da vergonha moral, onde o aluno era exposto ao sol de joelho e de braços abertos para ser vistos por todos, para dar exemplo aos outros, e envergonhar o castigado.
Lembro-me de crianças que chegavam em casa tristes, e escondendo as mãos para que os pais não vissem, os pais dirigiam a eles e perguntavam por que estavam tristes, e ao mesmo tempo reprimiam as crianças dizendo ____ Você foi castigado na escola? Se ganhou bolo foi porque mereceu. Muitos pais ainda surravam os filhos pelo motivo de ter sido disciplinados na escola.
As vezes as lesões deixadas pela palmatória impediam os alunos de manusear os objetos escolares, ficavam então aos cuidados das mães até que se restabelecessem a condição das mãos, então voltariam ao recinto escolar.
CULTURA, SOCIEDADE , ARTE E EDUCAÇÃO
UM MUNDO PÓS-MODERNO
Arthur D. Eflan
A ARTE COMO CONTEÚDO PARA ESTUDOS CULTURAIS
"A arte, a música e a literatura podem servir como conteúdo para uma pedagogia crítica que tem como uma de suas missões o questionamento do mercado cultural internacional e a cultura como forma de Jihad. Isto provavelmente será arduamente combatidos se aquele curriculum capacitar os estudantes a tornarem-se côncios das forças predatórias em suas vidas e se em seus estudos forem encorajados a questionar."(p. 13)
O PROPÓSITO DA ARTE-EDUCAÇÃO
Se a construção da realidade continua a ser a missão das artes, o propósito da arte-educação, então é contribuir para o entendimento dos panormas social e cultural habitados pelo indivíduo. As crianças do amanhã precisam das artes para capacitá-las a compreender e comunicar-se com os termos de sua sociedade, para que elas possam ter um futuro nessa sociedade! (p.12)
O povo brasileiro que teve a sua origem através de uma colonização de exploração, continua ainda com o mesmo pensamento que foram nos legado pelos nossos colonizadores, visto que prevalece o sentimento de inferioridade . Nota-se que julgamos melhor tudo o que vem do exterior sem ao menos questionar-mos. Entendo que Eflan vê na arte-educação o poder de formar cidadãos cônscios da realidade social, quando se fala de conteúdo para uma pedagogia crítica, entendo que não se trata categoricamente de uma pedagogia específica, porém a palavra é usada pela força do sentido etimológico por se referir ao ensino. A esse respeito também afirmou Ana Mae em seu livro que leva o título (AS MUTAÇÕES DO CONCEITO E DA PRÁTICA). "Somente a ação inteligente e empática do professor pode tornar a Arte ingrediente essencial para favorecer o crescimento individual e o comportamento de cidadão como fruidor de cultura e conhecedor da construção de sua própria nação". (p.14). Nota-se que a arte-educação só pode cumprir o seu papel, quando os responsáveis pela sua aplicação estiverem aptos a desenvolver um trabalho inteligente, isso quer dizer que falta preparo nos professores de arte, pois como poderão os professores levar este conhecimento quando não se dão conta do papel da arte-educação? É necessário que seja desconstruida a antiga idéia de ensino de arte como recreação, ou divertimento, e que os professores de arte assumam a sua responsabilidade de formar cidadãos conscientes de sua participação na sociedade, visto que a arte visual é uma disciplina capaz de abrir os olhos da percepção, para que o indivíduo não seja alienado da sua própria cidade, do seu próprio país, e do mundo.
PLANEJAMENTO DE AULA PARA 8ª DO ENSINO FUNDAMENTAL
CONTEÚDO
A palmatória como intermediação pedagógica no ensino de arte
RECURSOS DIDÁTICOS
Textos escritos
Vídeos de depoimentos Imagens de obras de arte, em que a palmatória e outros meios de punição são evidentes
RECURSOS METODOLÓGICOS
Aula expositiva apresentando as obras de arte e videos
Fazer reflexões orais com a participação dos alunos
Propor aos alunos que façam produções artísticas representando a educação no Brasil império, e a educação no Brasil nos dias atuais
Fazer exposições das obras produzidas pelos alunos
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Despertar nos alunos o censo crítico
Incentivar os alunos a produzir trabalhos artísticos
Conduzir os alunos a produzir resignificações
OBJETIVO GERAL
Que os alunos sejam capazes de refletir sobre o mundo em que vivem, de maneira a não temer levantar questionamentos, e busca de soluções, entender a humanidade como seres sociais, especialmente a sociedade brasileira em sua miscigenação, despertar nos alunos o interesse em conhecer obras de artes, fazendo suas próprias reflexões buscando na história subsídios para melhor compreensão.
